Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2016

Cabo Verde‏

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Cabo Verde

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A quem cumpriu Serviço-Militar em S. Vicente de Cabo-Verde nos anos 1970/72
- nomeadamente ao Cabo Valentim (Marinha), Furriéis Braz, Camarada (Olhão), Gravata
(Seixal), Escada (Viseu), Tavares (Gaia), Sarg./Ten. Marques (Carcavelos), Alferes Paulo 
Lavado (Lisboa), Capitão Costa Pereira (Elvas), Cap. Almeida Hentiques (Médº), etc. -
agradeço que me contactem para possível organização de Convívios (em que se
recordem factos e fotos de lá, se ouçam umas mornas/coladeras, se degustem uns 
xerens, umas cachupas, umas cocadas, e se combine uma possível viagem a Cabo Verde...)
,
Se conhece alguém que partilhe estes pontos-de-interesse, p.f., ponha-nos em contacto.
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Monte Cara.jpg

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(Furriel) M. Oliveira
 
publicado por picareta escribante às 07:30
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Domingo, 2 de Dezembro de 2007

Histórias da Tropa II

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Comissão de Serviço :

Depois de uma longa espera nos Adidos, embarquei para Cabo Verde no N/M "Manuel Alfredo", em rendição-individual.

 

Lá chegado, andei todo o dia a tratar de papeladas, fardamentos, etc. e, quando me foram levar à Messe-de-Sargentos (que ficava num morro, a uns quilómetros do Centro), já era de noite. Fui cair numa Festa, com pinheiro enfeitado, bolo-rei, cup, broas, etc., pois estávamos na véspera de Natal de 1969. Só que, por essa altura, as festas na Messe eram muito sensa -boronas: as únicas senhoras que lá apareciam eram umas matronas, esposas dos Sargen -tos que para lá tinham levado a família, a Música era -apenas- Natalícia, etc.

 

Qualquer outro, ao ser obrigado a passar o primeiro Natal fora da família, a milhares de qui -lómetros da sua terra, com pessoas totalmente desconhecidas e num Clima que nada tinha de Natalício (muito calor e humidade), entraria em depressão-cavada. Eu, depois de uns cups, decidi ir buscar umas músicas que tinha levado, e começar a "animar a festa": Uma das músicas que então estava em voga era o "Katchatchov" e eu, não tendo par como a maioria dos outros Furriéis, comecei a dançá-la à moda Cossaca.

Outros se me seguiram e, até os pançudos dos Sargentos-lateiros resolveram alinhar para não ficarem mal vistos. Divertido foi ver aqueles "sapos" transformarem-se em "baratas- esperneantes" pois, quando caíam de costas, mal se conseguiam levantar.

E eis como, logo na 1ª noite, passei de um ilustre-desconhecido ao mais popular lá do sítio.

 

A partir de então e sob minha orientação, todas as Festas da Messe-de-Sargentos passa- ram a ser as mais concorridas lá do burgo :

- Para suprir às despesas necessárias emitia uns Convites, que os colegas tinham que comprar, se quisessem convidar menininhas para as Festas. Com esses fundos e como Vagmestre da Messe (com acesso à cozinha) elaborava grandes Banquetes, que eram dispostos numa longa mesa, colocada no Bar/aberto  (mas que se encontrava encerrado até meio do bailarico). Sabendo-se que a boa-alimentação não abundava no seio da maioria da população (pois, as cachupas, eram mais pobres que ricas), bastava a divulgação da lista das iguarias que iam ser servidas, para que as melhores mocinhas da Terra se esgata- nhassem por um daqueles convites. Para além disso havia a decoração, a animação, etc. :

Por vezes interrompia o Baile, para organizar uma dança das cadeiras, da vassoura, etc.

 

A decoração da Sala-de-Baile também envolvia importantes recursos: certa vez, pelo Carna- val, decorei a Sala com disfarces, máscaras e mascarilhas e, pela instalação sonora, fui convidando os presentes a arrancarem-nas das paredes e a envergarem-nas. Certos pares levaram a mascarada demasiadamente à letra e, nos intervalos em que iam com as moci -nhas para os beliches ou, até, para debaixo dos chuveiros, resolveram trocar de indumen- tárias; (nesses tempos nem se sabia o que era Sida; o máximo que se podia apanhar era uma coisa, parecidacom esquenta-dor). De forma, que a-páginas-tantas, ja ninguém conse- guia descobrir quem era quem, naquele forró. Quem não achou muita graça à brincadeira foram algumas das Matronas que, armadas em beatas-falsas e do alto dos seus fartos buços, se mostraram todas escandalizadas com todo aquele deboche. Mas, ou porque a Lei da Disciplina-Militar não fazia ali muito sentido, ou porque a malta Jovem estava em larga maioria, ou porque os Sargentões também gostavam de ver as "mulatchinhas" a gingarem, ninguém ligou nenhuma às Matronas e elas lá tiveram que recolher aos seus aposentos, a rezarem e a benzerem-se.

 

Pelo Carnaval, o próprio banquete também acompanhava a brincadeira: pastéis de bacalhau

feitos com algodão e misturados com os verdadeiros, ovos meio-cozidos misturados com os outros, rissóis com malaguetas misturados com os normais, refrigerantes bastante agi- tados, etc. etc. etc.

 

Até consegui que festejassem lá, pela primeira vez, os Santos-Populares: dessa vez, a decoração da sala foi feita com arquinhos e balões e, a meio do baile, interrompi a série

de mornas e coladeras, para meter Marchas-Populares; pela instalação-sonora convidei os pares a arrancarem os arcos das paredes, e formou-se uma Marcha que veio desfilar para o Páteo. Neste, tinha mandado empilhar um grande monte de lenha a que pegámos fogo e que formou uma fogueira tão grande, que se avistava do Cais. Numa velha capelista, con- segui descobrir uns tubos de fogo-de-artifício, que espetei do lado da lenha virado para o Cais, por forma a que, à medida que as brasas se fossem espalhando, accionassem o fogo. Foi o maior espectáculo-pirotécnico que alguma vez lá se tinha realizado. O pior foi quando o Comandante da Companhia de Caçadores, que não estava avisado da farra, telefonou para lá a perguntar se era preciso intervirem, se estávamos sob fogo de morteiros.

 

                                                

 

Nota :

 

Tenho pena que outras Companhias, que estiveram lá fora muito antes de nós, se conti- nuem a reunir em alegres Confraternizações (já incluindo as esposas, os filhos e os netos) e que a nossa, que tinha ali uma tão boa Camaradagem, nunca mais se voltasse a reunir. Se alguém conhecer o Camarada (de Olhão), o Escada (dos arredores de Viseu), o Tavares (de Gaia), e tantos outros que estiveram em Cabo Verde, entre 1970/72, que lhes diga para se porem em contacto comigo, para ver se conseguimos reeditar aquelas Paródias.

Picareta Escribante

publicado por picareta escribante às 06:35
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