Sexta-feira, 31 de Maio de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Friedrich Novalis

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Friedrich Novalis :

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“Bem-aventurado aquele que se tornou sábio, que já não especula sobre o mundo e busca em si mesmo a Pedra da Sabedoria eterna. Somente o sapiente é digno de ser adepto – ele transmuta tudo em vida e ouro, sem precisar de elixires. A retorta sagrada nele exala – o rei presente nele está – Delfos também; e finalmente ele compreende : Conhece-te a ti mesmo.”

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Quando a chave de toda a creatura
seja mais do que número e figura,
e quando esses que beijam com os lábios,
e os cantores, sejam mais que os sábios,
e quando o mundo inteiro, intenso, vibre
devolvido ao viver da vida livre,
e quando luz e sombra, sempre unidas,
celebrem núpcias íntimas, luzidas,
quando em lendas e líricas canções
escreverem a história das nações,
então, a palavra misteriosa
destruirá toda a essência mentirosa.”

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(trad. de Mário Cesariny)

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(extraído, com a devida vénia, do Blog "EvoraOculta")

publicado por picareta escribante às 07:30
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Quinta-feira, 30 de Maio de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Luís Carlos Patraquim

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Elegia do Nilo - Luís Carlos Patraquim :

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	Azul e branco e o deus crocodilo na margem
	Diante das ruínas de Karnak,
	como sobes, visto daqui, das águas obscuras 
	Onde Ogum verteu suas lágrimas e cantou
	O sulco vindouro, persistente e duro caminhante
	De sul para norte sobre as areias, rasgando a volúvel pele
	Dos deuses.

	Reis e templos, em tuas margens ordenaram o mundo
	Entre cada ciclo solar, suspensos do fim;
	E louvo a cidade dos que partiram, o fluxo da pedra
	que ainda sustém a geometria do eterno
	emergindo da tua indiferença;Tu, que escondes os gatos
	imóveis e os sabes para sempre espíritos soltos, eriçados; e te deleitas,
	vendo-os na ronda dos desenhos enigmáticos, anichando-se junto aos
	Sarcófagos que extrapolam de Ti, como se o teu leito derramado
	Tivesse soerguido, da solidão granular, o perfil oblongo
	Da cabeça de Nefertiti e Te espojasses na beleza efémera 
	Dos esponsais da Carne;

	Ó matéria perecível que as ânforas guardam, aguardam,
	Nós que perdemos o divino selo das libações inaugurais e salmodiamos,
	No medo litúrgico da palavra esquecida, o simulacro do Livro
	E a salvação dos mortos; 
	O que subia deles, extirpadas as vísceras, iluminados pelo ouro e a água
	De que eras a substância! 

	Desceram as noites e o desmundo bebeu nas tuas margens
	Enquanto Tu cantavas e era de ti o canto
	Moldando a forma, lacerando as cidades e erguendo-as,
	Com nossos pés descalços sobre a erva, acocorados
	E breves, uma inscrição de sangue diluindo-se
	Até ao mar.
publicado por picareta escribante às 07:30
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Quarta-feira, 29 de Maio de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Fanny Crosby

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Fanny Crosby :

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Então pode chorar e soluçar porque sou cega

Oh, que menina contente sou eu

Apesar de não poder ver,

Pois decidida estou que

Neste mundo alegre serei !

Quantas bênçãos recebo eu

Então pode chorar e soluçar porque sou cega

Porque isso não farei!

publicado por picareta escribante às 07:30
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Terça-feira, 28 de Maio de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Carlos Aboim Inglez


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Carlos Aboim Inglez :
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SIMPLES VERDADES :

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Num chão de areia 
não se semeia
mas se a semente
 ...com sede ardente
beber suor
há-de dar flor

A seiva sobe
pelo tronco e sabe
desde a raiz 
que o sol fulgura
na flor futura
do meu país

Num bago de uva
há sol e chuva
e o mundo é tal
que o mesmo sal
na gota de água
é riso ou mágoa 

Detrás das grades
não choro penas
e digo apenas
simples verdades
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(extraído, com a devida vénia, do blog "Um olhar voltado para o Mundo")
publicado por picareta escribante às 07:30
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Segunda-feira, 27 de Maio de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Percy Bysshe Shelley

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 Ode To The West Wind - Percy Bysshe Shelley :

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Ode ao Vento Ocidental :


1

Oh, Vento Ocidental selvagem, exalas dos seres do outono o cheiro,
    De tua presença invisível, as folhas mortas
Lançadas são tal como fantasmas fugindo de um mágico.

Multidões delas de peste acometidas ! 
   Amarelas, pretas, pálidas e sanguíneas! Ó tu
Que, em carruagens, te transportas ao seu sombrio canteiro de inverno

 As sementes aladas, nas quais jazem frias e miúdas
   Cada qual como um cadáver na sua cova, até que
Tua azul-celeste irmã da Primavera toque

O seu clarim sobre a terra em sonhos, e encha de 
   Pressurosos suaves rebentos iguais a flores povoando o ar, 
Nas planícies e colinas, com cores e odores vivos.

Espírito selvagem que por toda a parte se move; 
   Destruidor e preservador: escuta, oh, escuta!

2
Tu, em cuja corrente, em meio à íngreme convulsão do firmamento,
    Onde, como folhas murchas da terra, nuvens dispersas se derramam 
Galhos emaranhados do céu e oceano sacudiste,
 

Anjos da chuva e dos raios! Aí espraiados
     Sobre a superfície azul de teu vagalhão etéreo
Qual brilhantes cabelos levantados

De alguma terrível Bacante, que vão da fina borda do
   Horizonte às alturas do zênite, 
As madeixas da tempestade que se avizinha. Nênias entoas

Ao ano que se despede, para o qual esta noite se acaba
   Será a cúpula de um vasto sepulcro
Construído com todo o teu poder concentrado

De vapores, de cuja sólida atmosfera
   Chuva negra, e fogo e granizo arrebentar-se-ão: Escuta!


3

Tu que de fato acordaste de seus sonhos de verão,
    O azul Mediterrâneo, onde jazia,
Acalentado pelo azul espiralado de suas correntes cristalinas,

Junto a uma ilha de pedra-pome na baía Baiae,
   Viste adormecidos vetustos palácios e torres
Agitando-se num dia mais intenso de ondas,

Invasão completa de musgos e flores azuis
   Tão suaves que os sentidos não conseguem pintá-las! Tu
Por cujo caminho as forças do nível do Atlântico

Abrem-se em abismos, enquanto, bem no fundo, 
   As florações marinhas e as florestas lodosas, que destroem
A folhagem seca dos oceanos,
 

Se agitam e se anulam, conheces

Tua voz e súbito te tornas medroso: Escuta!

4

Ah, fosse eu uma folha morta que pudesses segurar,
    Ah, fosse eu uma nuvem veloz para contigo:voar 
Uma onda suspirando por sob teu poder e extirpar

O impulso da tua força, só que menos livre
   Do que tu, ó incontrolável! Se pelo menos 
Ainda estivesse na minha infância e pudesse ser

O companheiro de tuas andanças nos céus 
  Pois então, quando fosse para superar tua velocidade celeste
Mal pareceria uma visão, - Nunca teria eu feito tanto esforço

Quanto assim contigo em prece nas horas de dolorida necessidade.
   Oh! ergue-me como se uma onda fosse, uma folha, uma nuvem!
Desmaio  sobre os espinhos da vida!  Eu sangro!

Um fardo enorme de horas acorrentou-me e me oprimiu
    Alguém também como tu – rebelde, dinâmico e orgulhoso.


5

De mim fazes a tua lira, igual assim à floresta:
    O que ocorreria se minhas folhas com as dela caíssem!
A desordem das tuas poderosas harmonias

Um profundo tom outonal retirarão de ambos,
   Suave embora triste. Sê tu, Espírito selvagem,
Meu espírito! Fazes de ti o meu ser, impetuoso espírito!

Conduze meus pensamentos mortos através do universo, 
   À semelhança da folhas murchas, a fim de um novo nascimento apressar;
E, pela magia destes versos,

Difundir, como se viessem de uma lareira sempre ardente, 
   Cinzas e centelhas, minhas palavras à humanidade
Através de minha boca para uma terra adormecida

Sê tu, ó vento, a trombeta de uma profecia!
   Com o retorno do inverno, não poderia a primavera logo sucedê-lo?


(Trad. de Cunha e Silva Filho)

 

 

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Domingo, 26 de Maio de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Ruy Belo

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Morte ao Meio Dia -  Ruy Belo :

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No meu país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o céu consente
às casas com que o frio abre a praça

Dezembro vibra vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul

que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente tem saúde e assistência cala-se e mais nada
A boca é pra comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol

No meu país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente

E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transístor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol

O português paga calado cada prestação
Para banhos de sol nem casa se precisa
E cai-nos sobre os ombros quer a arma quer a sisa
e o colégio do ódio é a patriótica organização

Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?

Há neste mundo seres para quem
a vida não contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe
atenta a gravidade do momento

O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz do dia
pois a areia cresceu e o povo em vão requer
curvado o que de fronte erguida já lhe pertencia

A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer .

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Sábado, 25 de Maio de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Yiannis Ritsos

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 Yiannis Ritsos :

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Corrida de cavalos :

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Cortaram lenha do bosque. Acenderam a pira. Sobre ela colocaram o morto.
Depois começaram as corridas de cavalos, para prestarem honras
ao digno lutador e à sua beleza. Depois da meia-noite,
os homens, extenuados das lutas, não puderam chorar.
Apenas o cavalo de Antíloco, todo negro,
todo reluzente à luz das chamas, apoiando-se
nas patas traseiras, saltou por sobre a fogueira e perdeu-se na noite.
Pelo acampamento ficou aquele cansaço maravilhoso, supremo,
como um esquecimento, como uma serenidade, — o último orgulho de um homem.
Quanto ao cavalo de Antíloco, ninguém mais o procurou.

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 Trad. de Fernando Monteiro ( Blog rascunho)

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Sexta-feira, 24 de Maio de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Millôr Fernandes

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 Millôr Fernandes :

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Poeminha Compensatório :

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Amigas, venham todas 
Tragam o sal, o sol, o som, a vida, 
O riso, a onda. 
Eu sou o Cavalheiro da Triste Figura 
Mas tenho uma bela Távola Redonda 

Saio sempre do cinema 
Com o sentimento desagradável 
De que, se não houvesse lido a 
Crítica, teria sido formidável! 


 

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Quinta-feira, 23 de Maio de 2013

Um Pensamento por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Stendhal

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 Stendhal :

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As alegrias do amor são sempre proporcionais ao medo de as perdermos.

 

Investe-se maior paixão para obter o que se não tem, do que para conservar o que já se tem.
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Já vivi o suficiente para ver que a diferença provoca o ódio.
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Quanto mais forte é um caráter, menos sujeito está à inconstância.
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A maior felicidade que pode acontecer a um grande homem é ele, cem anos após a sua morte, ainda ter inimigos.
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Todas as religiões são fundadas sobre o temor de muitos e a esperteza de poucos.
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O medo nunca está no perigo, mas em nós.
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O homem que não amou apaixonadamente, ignora a metade mais formosa da existência.

 

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Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Thiago de Mello

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 Os Estatutos do Homem - Thiago de Mello :

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Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. 
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Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento;como o vento confia no ar; como o ar confia no campo azul do céu.
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Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.
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O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino.
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Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begónia na lapela.

 

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