Sexta-feira, 31 de Agosto de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Raul Seixas

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Coração Noturno - Raul Seixas :

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Amanhece, amanhece, amanhece,
amanhece, amanhece o dia
Um leve toque de poesia
Com a certeza que a luz
que se derrama
nos traga um pouco, um pouco, um pouco de alegria !
A frieza do relógio
não compete com a quentura do meu coração
Coração que bate 4 por 4
sem lógica, sem lógica e sem nenhuma razão
Bom dia sol !!!
Bom dia, dia !
Olha a fonte, olha os montes
Horizonte
Olha a luz que enxovalha e guia
A Lua se oferece ao dia
E eu, E eu guardo cada pedacinho de mim
prá mim mesmo
Rindo louco, louco, mais louco de euforia
Bom dia sol !!!
Bom dia, dia !
Eu e o coração
Companheiros de absurdos no noturno
no soturno
No entanto, entretanto
e portanto ...
Bom dia sol !!!
Bom dia, sol !

publicado por picareta escribante às 07:28
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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Dorothy Parker

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One Perfect Rose - Dorothy Parker :

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Só me deu uma flor desde que me encontrou,
Assim pura e tão fiel, orvalhada e cheirosa,
Que mensageira terna e feliz ele achou:
Uma perfeita rosa.

Da linguagem da flor descobri o segredo:
“trago o seu coração na corola mimosa”!
De há muito o amor tomou para seu amuleto
Uma perfeita rosa.

Nunca ainda ninguém pensou em me oferecer
Um perfeito automóvel... pois, teimosa,
Foi sempre sina minha apenas receber
Uma perfeita rosa.

publicado por picareta escribante às 07:33
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Quarta-feira, 29 de Agosto de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Bento Prado Jr

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Bento Prado Jr. :

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Coração de pedra
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Não tem olhos de ver para a eterna beleza,
o sorriso de Deus que ilumina a existência;
não lhe fala à alma rude a suave pureza
que reponta e sorri nos lábios da inocência;
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a flor não o interessa, ou surja na devesa,
onde acaso a plantou a mão da Providência,
ou soberba pompeie, onde o Belo se preza,
requinte de arte pura ou prodígio da ciência.
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É que o vêzo do lucro, o seu deus verdadeiro,
lhe deu ao coração consistência de pedra
e aos olhos lhe roubou o poder da visão.
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Só lhe sobe à alma torpe o ouro, a moeda, o dinheiro...
Templo erguido a Mamona, a piedade não medra
na profunda aridez do seu vil coração.
publicado por picareta escribante às 07:36
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Terça-feira, 28 de Agosto de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - William Ernest Henley

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Invictus - William Ernest Henley :

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Invictus

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

Invictus

Desta noite que me cobre
Negra como um poço de borda a borda
Eu Agradeço a quaisquer deuses que hajam
Por minha alma inconquistável

Na cruel garra da circunstância
Eu não recuei nem gritei
Sob os golpes da sorte
Minha cabeça está ensanguentada mas não curvada

Além deste lugar de fúria e lágrimas
Surge apenas o horror da sombra
E ainda com a ameaça dos anos
Encontra, e há de encontrar-me, sem temor

Não importa quão estreito o portão
Quão carregado de punições o pergaminho
Eu sou o mestre me meu destino
Eu sou o capitão de minha alma.

publicado por picareta escribante às 07:33
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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Cora Coralina

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Saber Viver -  Cora Coralina :

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Não sei… Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

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Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura… Enquanto durar

publicado por picareta escribante às 07:33
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Domingo, 26 de Agosto de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Salvatore Quasimodo

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Salvatore Quasimodo :

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BASTA UM DIA PARA
EQUILIBRAR O MUNDO

A inteligência a morte o sonho
negam a esperança. Nesta noite
em Brasov, nos Cárpatos, entre árvores
não minhas, busco no tempo
uma mulher de amor. O mormaço estala
as folhas dos álamos e eu
me digo palavras que não conheço,
derramo terras de memória.
Um jazz escuro, canções italianas
passam tombadas sobre a cor das íris.
No rangido das fontes
se perdeu tua voz:
basta um dia para equilibrar o mundo.

publicado por picareta escribante às 07:34
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Sábado, 25 de Agosto de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Joaquim Pessoa

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Chamar-te meu amor - Joaquim Pessoa :

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Dizer que tudo em ti é movimento
e que há corças nas selvas em redor
do amor que às vezes faço em pensamento
ou do que eu penso quando faço amor.

.

Dizer que em tudo escuto a tua voz
no mar no vento na boca das searas
o maior amor do mundo somos nós
cobrindo a solidão de pedras raras.

.

Dizer tudo o que eu digo nunca basta
pois para ti não chegam as palavras
meu amor é uma expressão que já está gasta
mas tem sempre um aroma de ervas bravas.

.

É por ti tudo o que faço e digo e chamo
por ti eu tudo invento e tudo esqueço
dou tudo o que há em mim quando te amo
mas nem sei meu amor se te conheço.

publicado por picareta escribante às 07:28
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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Mahmud Darwish

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Mahmud Darwish :

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ELE É CALMO, E EU TAMBÉM

Ele é calmo,
E eu também.
Ele bebe chá de limão,
e eu bebo café.
(esta é a única coisa diferente entre nós)
Ele, como eu, usa uma camisa folgada básica
E eu olho, como ele, para uma revista mensal.
Ele não me vê enquanto eu o olho discretamente;
Eu não o vejo enquanto ele me olha discretamente.
Ele é calmo,
E eu também.
Ele pede algo ao garçom;
Eu peço algo ao garçom.
Um gato preto passa entre nós,
E eu toco sua noite de pêlos;
Ele toca sua noite de pêlos.
Eu não digo a ele: o céu está claro hoje,
mais azul;
Ele não me diz: o céu está claro hoje.
Ele é o visto e o que vê;
Eu sou o visto e o que vê.
Eu movo minha perna esquerda;
Ele move sua perna direita;
Eu balbucio a melodia de uma canção;
Ele balbucia a melodia de uma canção.
Eu penso: Ele é o espelho onde eu me vejo?
Então eu olho direto em seus olhos, e eu não o vejo.
Eu deixo o Café com pressa,
Eu penso: talvez ele seja um assassino,
ou talvez ele é apenas um homem passando
e eu sou um assassino.

publicado por picareta escribante às 07:33
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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Blanca Varela

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Blanca Varela :

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Ninguém nos diz como...

 

 

Ninguém nos diz como

 

virar a cara para a parede

 

e

 

morrermos singelamente

 

assim como o fizeram o gato

 

ou o cachorro da casa
ou o elefante

 

que caminhou em prol de sua agonia

 

como quem vai

 

a uma impostergável cerimônia

 

batendo orelhas

 

ao compasso

 

do cadencioso resfôlego

 

de sua tromba

 

só lá no reino animal

 

há exemplares de tal

 

comportamento

 

mudar o passo

 

aproximar-se

 

e farejar o já vivido

 

e dar a volta

 

singelamente

 

dar a volta

 

 

Tradução Adriandos Delima

 

publicado por picareta escribante às 07:26
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Quarta-feira, 22 de Agosto de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Garcia Lorca

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LA CASADA INFIEL - GARCIA LORCA :

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A Casada Infiel

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Levei-a comigo ao rio,
pensando que era donzela,
porém já tinha marido.
Foi na noite de Santiago
e quase por compromisso.
Os lampiões se apagaram
e acenderam-se os grilos.
Nas derradeiras esquinas
toquei seus peitos dormidos
e pra mim logo se abriram
como ramos de jacintos.
A goma de sua anágua
soava no meu ouvido,
como uma peça de seda
lacerada por dez facas.
Sem luz de prata nas copas
as árvores têm crescido,
e um horizonte de cães
ladra mui longe do rio.

Passadas as sarçamoras
os juncos e os espinheiros,
por debaixo da folhagem
fiz um fojo sobre o limo.
Minha gravata tirei.
Tirou ela seu vestido.
Eu, o cinto com revólver.
Ela, seus quatro corpetes.
Nem nardos nem caracóis
têm uma cútis tão fina,
nem os cristais ao luar
resplandecem com tal brilho.
Suas coxas me fugiam
como peixes surpreendidos,
metade cheia de lume,
metade cheia de frio.
Percorri naquela noite
o mais belo dos caminhos,
montado em potra de nácar
sem bridas e sem estribos.
Dizer não quero, homem sendo,
as coisas que ela me disse.
A luz do entendimento
me faz ser mui comedido.
Suja de beijos e areia,
trouxe-a comigo do rio.
A aragem travava luta
com as espadas dos lírios.
Portei-me como quem sou.
Como um gitano legítimo.
Uma cesta de costura
dei-lhe de raso palhiço
e não quis enamorar-me
porque tendo ela marido
me disse que era donzela
quando a levava eu ao rio.

publicado por picareta escribante às 07:30
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