Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Fernando Assis Pacheco

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Pedro Só - Fernando Assis Pacheco :

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Passaram anos e anos
sobre esta roda da vida,
farinha que foi moída,
vai-se a ver, são desenganos

 

Atou-me a sorte este nó,
cobriu-me com estes panos.
Ao peso dos meus enganos
sai a farinha da mó.

 

Na palma da mão estendida
leio um caminho de pó
lembranças do homem só
São as andanças da vida

 

Foram dias, foram anos,
foi uma sorte moída,
vida que tenho vivida,
(vai-se a ver são desenganos)

 

Foram dias, foram anos,
for a sorte apodrecida.
Dentro da roda da vida
sinto roer os fusanos

 

Lembranças da minha vida
perdem-se em nuvens de pó.
Bem me chamam Pedro Só,
(nome de roda partida)

publicado por picareta escribante às 07:35
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Langston Hughes

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I too Sing America - Langston Hughes :

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Eu, Também

 

Eu, também, canto a América

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Eu sou o irmão mais preto.
Quando chegam as visitas,
Me mandam comer na cozinha.
Mas eu rio
E como bem,
E vou ficando mais forte.

.

Amanhã,
Quando chegarem as visitas
Me sentarei à mesa.
Ninguém ousará
Me dizer,
“Vá comer na cozinha”,
Então.

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Além do mais,
Eles vão ver quão bonito eu sou
E se envergonharão -

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Eu, também, sou a América.

publicado por picareta escribante às 07:30
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Terça-feira, 29 de Maio de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Victor Hugo

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Desejo - Victor Hugo :

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Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outros sim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga Isso é meu,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

publicado por picareta escribante às 07:31
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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Valentín Paz Andrade

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Cando ti volvas - Valentín Paz Andrade :

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NA MATRICIAL GALIZA, SEMPRE TÚA,
que dende a Torre de Hércules ao Miño
un facho acenderá por cada illa,
cando ti volvas polo mare;
de toxo unha fogueira en cada monte;
cando ti volvas polo mare;
dos castros na coroa unha cachela,
cando ti volvas polo mare;
unha loura candea en cada pino,
cando ti volvas polo mare;
o seu cirio de frouma os alciprestes,
cando ti volvas polo mare;
luces de ardora branca en cada mastro,
cando ti volvas polo mare;
un farol mariñeiro en cada dorna,
cando ti volvas polo mare;
veliñas á xanela en cada casa,
cando ti volvas polo mare;
e as pérolas das bágoas derramadas,
cando ti chegues polo mare;
cando ti chegues polo mare...

publicado por picareta escribante às 07:32
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Domingo, 27 de Maio de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Alexander Pope

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Ode on Solitude - Alexander Pope :

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Ode à Solidão :

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Feliz quem limita seus desejos e atividades
aos poucos hectares paternos,
contente de respirar o ar nativo
em suas próprias terras.
Lá o gado dá o leite, os campos fornecem o pão,
as ovelhas possibilitam o traje;
as árvores lhe dão sombra no verão,
e lhe garantem fogo no inverno.
.
Abençoado quem vê sem preocupação
os dias e as noites passarem;
com saúde no corpo, e a mente em paz;
em sossego de dia,
e com sono profundo à noite; estudo
e descanso combinados; doce lazer;
e com inocência, que se adapta melhor
à meditação.
.
Que eu viva assim, desconhecido, esquecido;
que eu morra assim, sem ser lamentado,
longe do mundo;
e que nem sequer uma pedra diga
onde fica o meu local de descanso.
publicado por picareta escribante às 07:33
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Sábado, 26 de Maio de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - José Martí

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Yo soy un hombre sincero - José Martí :

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Eu sou um homem sincero - José Martí

 

Eu sou um homem sincero
De onde cresce a palmeira,

E antes de morrer eu quero
Tirar meus versos da alma.


Eu venho de toda partes,
e a todas partes vou:

arte sou entre as artes,
Nos montes, monte sou.


Eu conheço nomes raros
Das ervas e das flores,

E de mortais enganos
E de sublimes dores.


Eu vi na noite escura
Chover sobre minha cabeça

Os raios de lume puro
Da divina beleza.


Asas vi nascer em meus ombros
Das mulheres formosas:

E sair dos escombros,
Voando as mariposas.


Vi viver um homem
Com o punhal no costado,

Sem dizer jamais o nome
Daquela que o havia matado.


Rápida, como um reflexo,
Duas vezes vi a alma, duas:

Quando morreu o pobre velho,
Quando ela me disse adeus.


Eu vi a águia ferida
Voar ao azul sereno,

E morrer em sua guarida
A serpente do veneno.


Oculto no meu peito bravo
A mágoa que o fere:

O filho de um povo escravo
Vive por ele, cala e morre.


Tudo é formoso e constante,
Tudo é música e razão,

E tudo, como o diamante,
Antes que luz é carvão

publicado por picareta escribante às 07:34
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Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Maria Teresa Horta

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Poema sobre a recusa - Maria Teresa Horta :

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Poema sobre a recusa ( desencontro)

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Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado

nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago

sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras

sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

 

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado

minha raiva de ternura

meu ódio de conhecer-te

minha alegria profunda

publicado por picareta escribante às 07:33
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Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Edoardo Sanguineti

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La ballata delle donne - Edoardo Sanguineti :

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Quando ci penso, che il tempo è passato,
le vecchie madri che ci hanno portato,
poi le ragazze, che furono amore,
e poi le mogli e le figlie e le nuore,
femmina penso, se penso alla gioia
pensare al maschio, pensarci mi annoia.

Quando ci penso, che il tempo è venuto,
la partigiana che qui ha combattuto,
quella colpita, ferita una volta,
e quella morta, che abbiamo sepolta,
femmina penso, se penso alla pace
pensare al maschio, pensarci non piace.

Quando ci penso, che il tempo ritorna,
che arriva il giorno che il giorno raggiorna,
penso che è culla una pancia di donna,
e casa è pancia che tiene una gonna,
e pancia è cassa, che viene al finire,
che arriva il giorno che si va a dormire.

Perchè la donna non è cielo, è terra
carne di terra che non vuole guerra
ed è la terra, in cui fui seminato,
vita vissuta che dentro ho piantato,
qui cerco il caldo che il cuore ci sente,
la lunga notte che divento niente.


Femmina penso, se penso l'umano
la mia compagna, la prendo per mano.

publicado por picareta escribante às 07:31
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o ben que lhe faria - George Meredith

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from Modern Love - George Meredith :

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" Por esa razón sabía que ella lloraba con los ojos abiertos:
Porque en la luz temblorosa de su mano en su cabeza,
sus leves y extraños lamentos sacudían su cama
reclamando su atención un penetrante sobresalto,
y muda estrangulada, como diminutas serpientes boquiabiertas,
espantosamente venenosas para él. Ella yacía
inmóvil como el granito, y la larga oscuridad fluyó a lo lejos
con latidos mortecinos. Entonces, la medianoche hizo que
su gigantesco corazón de Recuerdos y Lágrimas
saboreara la droga marchita del silencio, y rota así
la medida abrumada del sueño, de la cabeza a los pies
estarían inmovibles, contemplando a través de sus años negros muertos
arrepentidos en vano de ensuciar la pared en blanco.
Como esfinges esculpidas que pudieran ser divisadas
sobre su tumba conyugal, con la espada en medio;
deseando cada uno el filo que los separa.
"

publicado por picareta escribante às 07:35
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Terça-feira, 22 de Maio de 2012

Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - MÁRIO DE SÁ CARNEIRO

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Fim - MÁRIO DE SÁ CARNEIRO :

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Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

 

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

publicado por picareta escribante às 07:35
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