Sábado, 28 de Janeiro de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria
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UM POEMA DE LEWIS CARROLL :
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ACERTE OU ERRE
(Pares de premissas em busca de conclusões)
Nenhum careca necessita pente;
Nenhum lagarto tem cabelo.
Alfinetes não são ambiciosos;
Agulhas não são alfinetes.
Algumas ostras estão caladas;
Pessoas caladas não são divertidas.
Rãs não escrevem livros;
Algumas pessoas usam tinta para escrever livros.
Certas montanhas são intransponíveis;
Todos os estilos podem ser transponíveis.
Nenhuma lagosta é insensata;
Nenhuma pessoa sensata espera impossibilidades.
Nenhum fóssil pode ser em amor cruzado;
Uma ostra pode ser em amor cruzada.
Um homem prudente evita hienas;
Nenhum banqueiro é imprudente.
Nenhum sovina é altruísta;
Só os sovinas guardam cascas de ovo.
Nenhum militar escreve poesia;
Nenhum general é civil.
Todas as corujas são satisfatórias;
Certas desculpas são insatisfatórias.
Tradução: José Lino Grünewald
Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
Um Pensamento por dia, nem sabe o bem que lhe faria
Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria
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To a Mouse - Robert Burns :
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Wee, sleekit, cowran, tim'rous beastie,
O, what a panic's in thy breastie!
Thou need na start awa sae hasty,
Wi' bickering brattle!
I wad be laith to rin an' chase thee,
Wi' murd'ring pattle!
I'm truly sorry Man's dominion
Has broken Nature's social union,
An' justifies that ill opinion,
Which makes thee startle,
At me, thy poor, earth-born companion,
An' fellow-mortal!
I doubt na, whyles, but thou may thieve;
What then? poor beastie, thou maun live!
A daimen-icker in a thrave 'S a sma' request:
I'll get a blessin wi' the lave,
An' never miss't!
Thy wee-bit housie, too, in ruin!
It's silly wa's the win's are strewin!
An' naething, now, to big a new ane,
O' foggage green!
An' bleak December's winds ensuin,
Baith snell an' keen!
Thou saw the fields laid bare an' wast,
An' weary Winter comin fast,
An' cozie here, beneath the blast,
Thou thought to dwell,
Till crash! the cruel coulter past
Out thro' thy cell.
That wee-bit heap o' leaves an' stibble,
Has cost thee monie a weary nibble!
Now thou's turn'd out, for a' thy trouble,
But house or hald.
To thole the Winter's sleety dribble,
An' cranreuch cauld!
But Mousie, thou are no thy-lane,
In proving foresight may be vain:
The best laid schemes o' Mice an' Men,
Gang aft agley,
An' lea'e us nought but grief an' pain,
For promis'd joy!
Still, thou art blest, compar'd wi' me!
The present only toucheth thee:
But Och! I backward cast my e'e,
On prospects drear!
An' forward, tho' I canna see,
I guess an' fear!
Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria
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Pequeno Poema - Sandro Penna :

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"Poeta exclusivo do amor"
me chamaram. E era talvez certo.
Mas o vento aqui sobre a erva e os rumores
da cidade longínqua
não são eles também amor?
Sob nuvens quentes
não são ainda o som
de um amor que arde
e não mais se afasta?
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Sandro Penna - tradução de David Mourão Ferreira
Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria
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- Antes que seja tarde - Manuel da Fonseca :
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Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas
como as águas de um lago adormecido,
acorda!
Deixa de vez
as margens do regato solitário
onde te miras
como se fosses a tua namorada.
Abandona o jardim sem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.
Deixa os desejos sem rumo
de barco ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.
Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.
Abre os olhos e olha,
abre os braços e luta!
Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.
Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria
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Lord Byron
Domingo, 22 de Janeiro de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria
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Urgentemente - Eugénio de Andrade
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É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Sábado, 21 de Janeiro de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria
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Vaso Grego - Alberto de Oliveira :
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Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.
Era o poeta de Teos que o suspendia
Então, e, ora repleta, ora esvasada,
A taça amiga aos dedos seus tinia,
Tôda de roxas pétalas colmada.
Depois... Mas o lavor da taça admira,
Toca-a, e do ouvido aproximando-a, às bordas
Finas hás de olhe ouvir, canora e doce,
Ignota voz, qual se da antiga lira
Fôsse a encantada música das cordas,
Qual se essa voz de Anacreonte fôsse.
Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria
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Poética do Eremita - Fiama Hasse Paes de Brandão :
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No deserto,
Estão secas,
As pedras.
Que no mar se molhavam,
A semelhança confunde
O eremita
Que solitário demais
passou o tempo
entregando-se à solitária memória
Aqui, a pedra seca
para o eremita,
não perdeu
A qualidade úmida
de poder
ter estado ao pé do mar.
Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria
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Meu Amor, Meu Amor- Ary dos Santos :
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Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.
Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.
Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento
este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.