Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Raimundo Correia
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As Pombas - Raimundo Correia :
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Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
Das pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sangüinea e fresca a madrugada.
E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...
Também dos corações onde abotoam
Os sonhos, um a um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais.
Terça-feira, 15 de Maio de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Edward Lear
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Owl and the Pussycat - Edward Lear :
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The Owl and the Pussy-cat went to sea
In a beautiful pea green boat,
They took some honey, and plenty of money,
Wrapped up in a five pound note.
The Owl looked up to the stars above,
And sang to a small guitar,
'O lovely Pussy! O Pussy my love,
What a beautiful Pussy you are,
You are,
You are!
What a beautiful Pussy you are!'
And hand in hand, on the edge of the sand,
They danced by the light of the moon,
The moon,
The moon,
They danced by the light of the moon.
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O Mocho e a Gatinha foram pro mar
Num lindo bote verde-ervilha,
Eles tinham mel e grana a granel
E uma nota de um milha.
O Mocho olhou pro o céu
E cantou na viola de lata,
"Que linda gata! Que linda gata,
Que linda gata Deus me deu,
Me deu
Me deu,
Que linda gata Deus me deu!"
E de braço dado, na praia do lado,
Saíram a dançar sob a luz do luar,
Luar,
Luar,
Saíram a dançar sob a luz do luar
Segunda-feira, 14 de Maio de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Federico García Lorca
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Gacela del amor desesperado - Federico García Lorca :
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La noche no quiere venir
para que tu no vengas,
ni yo pueda ir.
Pero yo iré,
aunque un sol de alacranes me coma la sien.
Pero tu vendrás
con la lengua quemada por la lluvia de sal.
El día no quiere venir
para que tu no vengas,
ni yo pueda ir.
Pero yo iré
entregando a los sapos mi mordido clavel.
Pero tu vendrás
por las turbias cloacas de la oscuridad.
Ni la noche ni el día quieren venir
para que por ti muera
y tú mueras por mí.
Domingo, 13 de Maio de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Orestes Barbosa
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Chão de estrelas - Orestes Barbosa :
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Minha vida era um palco iluminado
E eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão lá no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do Sol a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher, pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional.
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
E tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão
Sábado, 12 de Maio de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Friedrich von Schiller
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Ode à Alegria - Friedrich von Schiller :
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Oh amigos, mudemos de tom!Entoemos algo mais agradávelE cheio de alegria!
- (Barítonos, quarteto e coro)
- Alegria, mais belo fulgor divino,
- Filha de Elíseo,
- Ébrios de fogo entramos
- Em teu santuário celeste!
- Teus encantos unem novamente
- O que o rigor da moda separou.
- Todos os homens se irmanam
- Onde pairar teu vôo suave.
- A quem a boa sorte tenha favorecido
- De ser amigo de um amigo,
- Quem já conquistou uma doce companheira
- Rejubile-se conosco!
- Sim, também aquele que apenas uma alma,
- possa chamar de sua sobre a Terra.
- Mas quem nunca o tenha podido
- Livre de seu pranto esta Aliança!
- Alegria bebem todos os seres
- No seio da Natureza:
- Todos os bons, todos os maus,
- Seguem seu rastro de rosas.
- Ela nos dá beijos e as vinhas
- Um amigo provado até a morte;
- A volúpia foi concedida ao verme
- E o Querubim está diante de Deus
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- Alegres, como voam seus sóis
- Através da esplêndida abóboda celeste
- Sigam irmãos sua rota
- Gozosos como o herói para a vitória.
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- Abracem-se milhões de seres!
- Enviem este beijo para todo o mundo!
- Irmãos! Sobre a abóboda estrelada
- Deve morar o Pai Amado.
- Vos prosternais, Multidões?
- Mundo, pressentes ao Criador?
- Buscais além da abóboda estrelada!
- Sobre as estrelas Ele deve morar.
Sexta-feira, 11 de Maio de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Mário Quintana
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Um dia - Mário Quintana :
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Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra é bobagem.
Você não só não esquece a outra pessoa, como pensa muito mais nela...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como o bonzinho não é bom...
Um dia percebemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em ti...
Um dia saberemos a importância da frase:
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas!!
Um dia percebemos que somos muito importantes para alguém, mas não damos valor a isso...
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas aí já é tarde demais...
Enfim... Um dia descobrimos que apesar de viver quase cem anos, esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para dizer tudo o que tem de ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.
Quinta-feira, 10 de Maio de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Juan Bosch
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La Gaviota - Juan Bosch :
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Junto a la reja de mi blanca celda
el mar despeina su melena azul,
veo como se alza la gaviota y vuela,
como afanosa de volverse luz
Indecible anhelo de tender las alas,
del ave grácil que se eleva así
desentumirlas, levantar el vuelo,
cruzar los aires y llegar a ti.
Quarta-feira, 9 de Maio de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o be que lhe faria - Ascenso Ferreira
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Trem de Alagoas - Ascenso Ferreira :
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O sino bate,
o condutor apita o apito,
Solta o trem de ferro um grito,
põe-se logo a caminhar... — Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende, vou danado pra Catende com vontade de chegar...
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Mergulham mocambos,
nos mangues molhados,
moleques, mulatos,
vêm vê-lo passar. — Adeus! — Adeus!
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Mangueiras, coqueiros,
cajueiros em flor,
cajueiros com frutos
já bons de chupar... — Adeus morena do cabelo cacheado!
(...)
Na boca da mata
há furnas incríveis
que em coisas terríveis
nos fazem pensar: — Ali dorme o Pai-da-Mata! — Ali é a casa das caiporas! — Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende vou danado pra Catende com vontade de chegar...
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Meu Deus! Já deixamos
a praia tão longe...
No entanto avistamos
bem perto outro mar...
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Danou-se! Se move,
se arqueia, faz onda...
Que nada! É um partido
já bom de cortar... — Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende vou danado pra Catende com vontade de chegar...
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Cana caiana,
cana roxa,
cana fita,
cada qual a mais bonita,
todas boas de chupar... — Adeus morena do cabelo cacheado! — Ali dorme o Pai-da-Mata! — Ali é a casa das caiporas! — Vou danado pra Catende, vou danado pra Catende vou danado pra Catende com vontade de chegar...
Terça-feira, 8 de Maio de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Rabindranath Tagore
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La mujer - Rabindranath Tagore :
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A Mulher InspiradoraMulher, não és só obra de Deus;
os homens vão-te criando eternamente
com a formosura dos seus corações,
e os seus anseios
vestiram de glória a tua juventude.
Por ti o poeta vai tecendo
a sua imaginária tela de oiro:
o pintor dá às tuas formas,
dia após dia,
nova imortalidade.
Para te adornar, para te vestir,
para tornar-te mais preciosa,
o mar traz as suas pérolas,
a terra o seu oiro,
sua flor os jardins do Verão.
Mulher, és meio mulher,
meio sonho.
Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"
Tradução de Manuel Simões
Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
Uma Poesia por dia, nem sabe o bem que lhe faria - Ferreira Gullar
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Metade - Ferreira Gullar :
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Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio…
Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste…
Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.
Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.
E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.
Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.
Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor,
e a outra metade…
também.
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Ferreira Gullar